Marty Supreme (2025) Review
by iAo
❝Eletrizante.❞
Josh Safdie é conhecido pelos seus filmes caóticos e indutores de ansiedade, como Uncut Gems e Good Time, realizados em conjunto com o seu irmão, Benny Safdie. Marty Supreme é o primeiro filme a solo de Josh Safdie, mas mantém as mesmas características dos anteriores. É um filme eletrificante que nos deixa colados ao ecrã durante as suas duas horas e meia de runtime.
Marty Supreme começa com — e quem me dera estar a gozar — uma cena de um espermatozóide a fertilizar um óvulo que em seguida se transforma numa bola de ping-pong, isto ao som de "Forever Young" dos Alphaville. Sim, isso mesmo, um óvulo transforma-se numa bola de ping-pong. É uma sequência absolutamente insana, mas que nos dá a certeza, logo desde o início, que o filme nos vai levar numa aventura. E que aventura!
Timothée Chalamet é a estrela do filme. Ele faz o papel de um jogador de ping-pong narcisista e arrogante, que tem como objetivo se tornar no melhor e mais famoso do mundo, e fará tudo o que for preciso para lá chegar. A personagem de Timothée, Marty Mauser, é, por definição, completamente antipática e uma pessoa má, mas Timothée traz tanto carisma ao papel que é impossível não torcer por ele. Odessa brilha no tempo de tela, infelizmente muito limitado, que tem. Kevin O'Leary é surpreendentemente bom a interpretar um ser-humano terrível (porque será), e Tyler, The Creator também se sai bem com uma personagem bastante divertida.
Agora, falando do filme como um todo. Como disse no início, que aventura. É absolutamente eletrizante, cativante e divertido. A forma como toda a trama se desenvolve, com Marty a ir do topo do mundo ao fundo do poço, de contratempo em contratempo. O ritmo é perfeito, mantém-nos constantemente em alerta. Há momentos, especialmente no final, em que o filme nem sequer nos deixa respirar, com coisas a acontecerem constantemente e a tensão e a ansiedade a aumentarem. Tudo isto acompanhado por uma excelente banda sonora que combina perfeitamente com o clima.
E, finalmente, o final do filme é perfeito. Não vou dar spoilers, mas ao longo do filme Marty é mostrado como uma pessoa terrível e egoísta, que se aproveita dos outros para o seu próprio benefício, alguém que é claramente antipático. Mas depois somos surpreendidos com este final emocionante, contrário ao tom do filme, que faz com que sintamos empatia e nos importemos com Marty. Um contraste emocional muito bem conseguido, para arrebatar este filme de uma forma totalmente inesperada. E, por fim, os créditos começam a rolar enquanto "Everybody Wants To Rule The World" começa a tocar, o que resume perfeitamente a personagem de Marty e o filme como um todo. Um final perfeito para um filme perfeito.
Com uma escrita e narrativa excecionais, ótima soundtrack, uma atuação incrível de Timothée Chalamet, ótima cinematografia e cenografia que capturam muito bem a essência dos anos 50, Marty Supreme é imperdível, tudo está perfeito neste filme.
Uma excelente estreia a solo de Josh Safdie, que nos traz um filme ousado, mas muito bem conseguido.
10
/10
– iAo –
