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terça-feira, 9 de junho de 2026

Megalopolis (2024) Review

by Erica

Um delírio descontrolado de um mestre em queda livre.

Megalopolis é um desastre fascinante. Não daqueles filmes tão maus que dão a volta e se tornam divertidos, é simplesmente um filme que falha em quase tudo aquilo a que se propõe.

Fazer uma sinopse de Megalopolis é uma tarefa ingrata. Não porque a história seja demasiado inteligente ou complexa, mas porque o filme parece incapaz de decidir o que quer ser. Num momento é ficção científica, no outro é uma sátira política, depois transforma-se num drama familiar, numa reflexão filosófica ou numa fantasia surrealista. A certa altura, deixa de parecer uma narrativa e passa a parecer uma coleção de ideias atiradas para o ecrã sem qualquer preocupação em ligá-las. Coppola tenta fazer dez filmes ao mesmo tempo e acaba por falhar em todos.

A escrita é caótica, cheia de diálogos pretensiosos que soam mais a citações de Instagram do que a conversas entre seres humanos. As personagens entram e saem da narrativa sem grande propósito, e a história parece avançar aos tropeções entre ideias que nunca chegam a ser desenvolvidas.

A atuação também não ajuda. Mesmo com um elenco recheado de nomes conhecidos, muitas interpretações parecem artificiais e desajeitadas, como se os próprios atores não percebessem o que estava a acontecer em cena.

A edição é outro dos maiores problemas. Há momentos em que o filme parece uma apresentação de PowerPoint feita por alguém que descobriu todos os efeitos de transição ao mesmo tempo. Um dos exemplos mais gritantes é quando o ecrã se divide em três partes, criando um efeito visual que parece saído de um software de edição dos anos 2000. Em vez de acrescentar algo à narrativa, apenas distrai e reforça a sensação de que estamos a assistir a um rascunho inacabado.

Nem a banda sonora consegue salvar a experiência. A música surge frequentemente deslocada, sem impacto emocional, contribuindo para a sensação geral de descoordenação.

Ainda assim, não é impossível imaginar que Megalopolis possa vir a tornar-se um cult classic com o tempo. Há filmes que, precisamente por serem tão desastrosos ou fora do seu tempo, acabam por ser reavaliados e ganhar um estatuto diferente anos depois. Talvez aconteça aqui o mesmo. Não por ser bom, mas por ser tão estranho, tão desajeitado e tão desfasado de tudo o resto que acaba por ganhar uma nova leitura retrospetiva.

Megalopolis queria ser uma obra visionária. Acaba por ser apenas um monumento à falta de controlo criativo.

A minha classificação é 2 estrelas em 5. E, para ser sincera, uma dessas estrelas é apenas por respeito a Francis Ford Coppola. Quando o homem responsável por The Godfather e Apocalypse Now lança um filme, custa sempre dar-lhe a nota que a obra realmente merece. Infelizmente, o respeito pela carreira não consegue esconder aquilo que está no ecrã: um dos filmes mais confusos, pretensiosos e desapontantes dos últimos anos.

4

/10

Erica

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