Babylon (2022) Review
by Erica
❝Uma ode intensa ao cinema e ao seu lado mais cruel❞
Babylon, realizado por Damien Chazelle, é um filme marcado pelo excesso e pela intensidade. Desde os primeiros minutos, o espectador é confrontado com uma sucessão de cenas densas, carregadas de informação, movimento e estímulos visuais, que retratam o caos da Hollywood dos anos 20. É um filme onde muito acontece constantemente, exigindo atenção e envolvimento contínuos.
Este ritmo frenético é equilibrado por momentos mais calmos e introspetivos, que funcionam como pausas necessárias na narrativa. O contraste entre as cenas caóticas e os momentos de silêncio e contenção é um dos elementos mais eficazes do filme, permitindo não só respirar, mas também refletir sobre o que está a ser mostrado. Essas sequências mais tranquilas dão profundidade emocional às personagens e reforçam o impacto do excesso que as rodeia.
Para além do espetáculo visual, Babylon é também uma reflexão sobre o cinema enquanto arte e sobre a sua evolução. O filme acompanha a transição de uma indústria em constante mudança, mostrando como o progresso técnico e artístico traz consigo consequências inevitáveis. A ascensão e queda de várias personagens simbolizam a forma como o cinema avança, muitas vezes deixando para trás aqueles que não conseguem adaptar-se.
Babylon não é um filme contido nem discreto, e essa escolha é intencional. Através do exagero, do caos e da emoção, Damien Chazelle constrói uma obra que funciona como uma homenagem ao cinema, sem ignorar o seu lado mais cruel. É um filme especialmente indicado para quem aprecia o cinema como forma de arte e se interessa pela sua história, pela sua transformação ao longo do tempo e pelo impacto que essa evolução tem em quem vive dentro da indústria.
8
/10
– Erica –
